Dillaz – 1100 Cegonhas

Mangas olham de lado
Porque eu fiz um portfólio sem ter óleo na lambreta
Aquilo que eu escrevia era piada
E se acabava a papelada
A escrivaninha estava escrita com a caneta
Eu tenho uma vizinha avariada
Passa a vida na noitada
Não se lembra se agarrou na branca ou preta
Estou a mandar o props
P’ro meu bruno o mais fininho
Que é tão fino que desaparecia se pisasse uma sarjeta
Vais dizer que é patrocínio que eu não compro, só me dão
Mas ando a ver uns ténis novos p’ra comprar e tu
‘Tas agarrado ao tacho e ‘tas abaixo do escalão
E a ver que tem um pénis essa tal de Marilu
‘Tás burro e não te interas
‘Tás à espera p’ra fumá-la
Tu és próximo a enrolá-la e a passá-la p’ro monsieur
Aponta bem no teu caderno
Nunca vai virar um rei da selva
Aquele que apanha gonorreia com gnus
Voz alta é fadista se olhares
Lá p’ra trás tu “vais-te” lembrar da altura
Em que falavas do fulano
Tu “vais-me” ver na revista
De chinelo e calção e uma tshirtzita comprada ao zezito cigano
Anda papar do meu prato
Quando é peixe barrigudo
Sei que cantas de galo mas há quem te encurte a rédea
Sou meio despassarado se me vires nas altitudes
Estou a esquecer a altura em que o trajeto era tragédia

Gente pendurada mesmo presos por um fio
Pegam lume ao cordel
Mil e cem cegonhas sem vergonha a perguntar
Se o que eu fumo é bom mel

2x

Já não tinhas dedos p’ra contar
As rugas das caras que eu vi
Cheguei a guardar a força na gaveta
Mas nunca a perdi
Tu vês o olhar de quem quer sempre alcança
Quando olhas p’ra mim
Sinto que tens raiva
Sinto que tens

Tudo com o seu tempo vai
E tudo com o seu tempo cai
E tudo com o seu tempo vem
O meu bairro é fundamental
Nem tudo o que é mau vem por mal
Nem tudo o que é bom vem por bem
Se tu queres ver a dobrar, então entra no palacete
Limpa o pé no meu tapete e sê bem vindo à Jamaica
Sem carraça na orelha tu olha bem p’ro cachorro
Se eu vivesse na lua tinha likes da Laika
Boy acredites ou não
Eu tenho a vista cegada mas não duvides
Sei o brother que o meu bolso contém
Tu vês foguetes na serra
Se eu tenho a quinta cercada por indevidos
Lava a boca quando falas de alguém
E quem te leva p’ra má vida vai por caminho apertado
Sai de cana com fiança e tu ficas no caniçal
Em todo o bairro a regra número 1 é a palavra confiança
Mas ninguém pendura os ténis no estendal